O Projeto Natureza, empreendimento da CMPC que prevê uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul, avançou no processo de licenciamento ambiental. Em 23 de outubro de 2026, o governo estadual entregou à empresa a Licença Prévia para a iniciativa, estimada em R$ 27 bilhões. O documento representa uma etapa formal para o desenvolvimento do projeto, mas ainda não autoriza o início das obras.
A licença foi emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), após a análise dos estudos ambientais apresentados pela empresa e a realização de etapas de participação social. Segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a autorização permite que a CMPC avance na elaboração dos projetos e dos documentos necessários para solicitar a Licença de Instalação.
Licença Prévia define a fase atual do empreendimento
No processo ambiental, a Licença Prévia está relacionada à análise da viabilidade do empreendimento e à definição das condições que deverão ser observadas nas etapas seguintes. No caso do Projeto Natureza, a emissão do documento permite a continuidade do planejamento técnico e ambiental da fábrica, sem substituir a autorização específica exigida para a instalação da estrutura.
O próximo passo mencionado pelo governo estadual é a preparação dos elementos necessários para o pedido de Licença de Instalação. É essa etapa posterior que permitirá avaliar a implantação do empreendimento de acordo com os projetos e as exigências estabelecidas no licenciamento. A pauta oficial não informa um cronograma para o começo das obras, nem indica quando a empresa deverá apresentar o pedido de instalação.
A tramitação também evidencia a dimensão regulatória de um investimento industrial de grande porte. Antes da construção, o projeto precisa cumprir as exigências ambientais aplicáveis e passar pelas fases previstas no processo de licenciamento. A participação social realizada durante a análise integra esse percurso e antecede a eventual autorização para a instalação da unidade.
Investimento inclui fábrica e estrutura de exportação
O investimento estimado para o Projeto Natureza é de R$ 27 bilhões, valor apresentado pelo governo do Rio Grande do Sul como o maior aporte privado da história do estado. A principal estrutura prevista é uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, município localizado no estado gaúcho. A proposta amplia a presença industrial da CMPC no Rio Grande do Sul, mas não prevê o encerramento da unidade já existente em Guaíba.
De acordo com as informações oficiais, a fábrica de Guaíba será mantida. O projeto também inclui uma frente logística vinculada à exportação da produção: um terminal próprio para celulose no Porto de Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão. Assim, o empreendimento combina uma nova unidade industrial em Barra do Ribeiro com uma estrutura portuária em outro ponto do estado.
A conexão entre os dois locais é um dos aspectos centrais do projeto. A fábrica deverá integrar a etapa de produção, enquanto o terminal previsto no Porto de Rio Grande está associado ao escoamento da celulose para exportação. A fonte oficial, no entanto, não informa a capacidade produtiva projetada, a quantidade de empregos esperada ou o calendário de implantação das estruturas.
Próximas etapas ainda dependem de novas autorizações
Com a Licença Prévia emitida, a CMPC poderá seguir com o detalhamento dos projetos e reunir a documentação necessária para a próxima fase do licenciamento. A autorização recebida não equivale à liberação imediata para construir a fábrica ou o terminal portuário. O avanço dependerá da análise do pedido de Licença de Instalação e do cumprimento das condições definidas pelos órgãos responsáveis.
Para o setor industrial, o caso reúne três dimensões: a expansão da produção de celulose, a manutenção de uma unidade já instalada e a criação de uma estrutura logística voltada à exportação. Para o Rio Grande do Sul, o empreendimento representa um investimento privado de grande escala em diferentes municípios, embora os efeitos sobre emprego, fornecedores e arrecadação ainda não possam ser quantificados com base nas informações divulgadas.
A entrega da Licença Prévia marca, portanto, a conclusão de uma etapa de avaliação ambiental e o início de uma nova fase de preparação técnica. O Projeto Natureza continua sujeito às próximas autorizações previstas no processo, enquanto a CMPC avança no desenvolvimento dos documentos que poderão fundamentar o pedido de instalação da nova fábrica de celulose.
