Uma cidade pode crescer rápido sem crescer desordenada?

Diego Velázquez
5 Min de leitura

O crescimento urbano costuma ser associado à chegada de novos moradores, empreendimentos e atividades econômicas, mas aumentar de tamanho não significa, necessariamente, melhorar. Guilherme Campos, empresário, empreendedor e desenvolvedor imobiliário, acompanha um cenário em que pensar a expansão das cidades exige observar como novas áreas se conectam à infraestrutura, aos serviços e às oportunidades existentes. 

 

Entenda mais a seguir!

O que diferencia a expansão de crescimento desordenado?

Uma cidade pode ocupar novas áreas sem necessariamente formar uma estrutura urbana eficiente. Quando moradias, comércio, equipamentos públicos e vias surgem sem articulação, os deslocamentos tendem a aumentar e a infraestrutura pode chegar depois da ocupação. O problema, portanto, não está simplesmente em crescer, mas em deixar que cada parte da expansão aconteça de maneira isolada.

 

O planejamento urbano procura justamente antecipar essas relações. O Plano Diretor estabelece diretrizes para o uso e a ocupação do território, incluindo áreas urbanas e de expansão, enquanto estudos de impacto podem considerar questões como adensamento, mobilidade, equipamentos urbanos e valorização imobiliária. Esse cuidado muda a pergunta de “onde ainda é possível construir?” para “onde faz sentido a cidade crescer?”.

 

Essa diferença é especialmente relevante em regiões que passam por transformação econômica e demográfica. Guilherme Campos atua no setor imobiliário e agro e acompanha projetos em que a decisão sobre uma área precisa considerar não apenas o potencial imediato, mas também o desenvolvimento que pode ocorrer ao seu redor.

Por que infraestrutura precisa chegar antes?

Uma nova área residencial não funciona de maneira isolada, destaca Guilherme Campos. Ela depende de acesso viário, abastecimento de água, saneamento, energia, transporte, comércio e serviços. Quando esses elementos são considerados desde o planejamento, a expansão pode criar novas centralidades em vez de simplesmente aumentar a distância entre as pessoas e aquilo de que precisam.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

 

Segundo Guilherme Campos, o conceito de desenvolvimento urbano integrado parte justamente dessa conexão. O Ministério das Cidades considera que habitação, mobilidade, saneamento, meio ambiente, uso do solo e desenvolvimento econômico devem ser tratados de forma articulada, porque os problemas urbanos são interdependentes.

Como novos bairros podem ajudar a organizar a expansão?

O planejamento de um novo bairro permite tomar decisões antes que a ocupação esteja consolidada. Ruas, áreas destinadas a equipamentos, espaços de convivência, acessos e conexões com outras regiões podem ser pensados dentro de uma lógica única, evitando que a infraestrutura precise ser adaptada posteriormente. De acordo com Guilherme Campos, essa organização prévia também favorece uma ocupação mais equilibrada, capaz de acompanhar o crescimento da população sem criar gargalos que poderiam ser previstos ainda na fase de projeto.

 

Essa antecipação também influencia a relação entre moradia e atividade econômica. Um bairro conectado a diferentes serviços pode estimular a instalação de pequenos negócios e reduzir determinados deslocamentos, criando uma dinâmica urbana mais diversificada. O objetivo não é fazer com que tudo esteja concentrado em um único ponto, mas permitir que diferentes partes da cidade tenham funções complementares. Com isso, a expansão territorial pode ser acompanhada pela criação de novas oportunidades de consumo, trabalho e convivência, fortalecendo a integração entre os moradores e o restante da cidade.

 

Para Guilherme Campos, essa perspectiva é particularmente importante no desenvolvimento imobiliário. A decisão sobre um projeto não termina na área que será construída. É necessário considerar como aquela ocupação poderá se relacionar com a expansão futura e com as transformações econômicas da região. Essa análise de longo prazo ajuda a avaliar não apenas a viabilidade imediata de um empreendimento, mas também sua capacidade de acompanhar as mudanças que podem ocorrer no território ao longo dos anos.

 

Para acompanhar conteúdos sobre desenvolvimento, empreendedorismo e mercado imobiliário, acompanhe Guilherme Campos no Instagram @guicamposvlg.

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