Polo Industrial de Manaus vive melhor início de ano desde 2008, enquanto motos elétricas ganham espaço mesmo ainda pequeno no mercado.
O setor de duas rodas segue como um dos pontos mais aquecidos da indústria automotiva brasileira em 2026. A Abraciclo, associação que representa os fabricantes instalados no Polo Industrial de Manaus, projeta a produção de 2.070.000 motocicletas neste ano, volume 4,5% superior às 1.980.538 unidades fabricadas em 2025. No varejo, a expectativa também é de crescimento. A previsão é de que sejam licenciadas 2.300.000 motocicletas em 2026, um avanço de 4,6% sobre as 2.197.851 unidades emplacadas no ano anterior. Mas o que está por trás desse ritmo forte, e o que esperar para os próximos meses? AbracicloAbraciclo
Manaus registra o melhor início de ano em quase duas décadas
Os números do primeiro quadrimestre já indicavam que 2026 seria um ano especial para o setor. Entre janeiro e abril, as fabricantes do Polo Industrial de Manaus produziram 745.824 motocicletas, volume 10,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, o melhor desempenho para um primeiro quadrimestre desde 2008. Só em abril, o resultado surpreendeu ainda mais. Saíram das fábricas 184.376 unidades, o maior volume já registrado para o mês nos últimos 18 anos. Duas RodasDuas Rodas
O crescimento não se limita à produção. Do lado das vendas, o cenário também foi de recorde histórico. Entre janeiro e abril, os licenciamentos chegaram a 782.364 motocicletas, um crescimento expressivo de 19,1% frente ao mesmo período de 2025, o melhor primeiro quadrimestre da história do setor. Um dado chama especialmente atenção dentro desse levantamento: o comportamento das motos de alta cilindrada. Esse segmento avançou 43,3% em relação ao ano anterior, impulsionado por uma nova leva de lançamentos voltados ao público que utiliza a moto para turismo, lazer e experiências premium. Duas RodasDuas Rodas
Ainda assim, é importante contextualizar esse avanço dentro do panorama geral do mercado. Em números absolutos, as pequenas cilindradas continuam dominando amplamente o mercado brasileiro, com 581.723 unidades produzidas, equivalentes a 78% de toda a fabricação nacional no período, enquanto as motos de média cilindrada responderam por 142.735 unidades, ou 19,1% do total, e as de alta cilindrada somaram 21.366 motocicletas, com participação de apenas 2,9%. Ou seja, o crescimento no segmento premium é relevante, mas o motor da indústria brasileira de duas rodas segue sendo a moto popular, usada no trabalho e no deslocamento diário. Duas Rodas
Motos elétricas crescem, mas ainda são nicho
Enquanto a moto a combustão segue dominante, o segmento elétrico começa a ganhar corpo, ainda que de forma tímida em termos absolutos. Segundo dados da Fenabrave, os emplacamentos de veículos elétricos de duas rodas cresceram 47,26% no primeiro trimestre de 2026, passando de 3.453 unidades no mesmo período do ano anterior para 5.085 veículos, enquanto o mercado total de motocicletas registrou alta de 20,61%, com 571.610 unidades emplacadas. Mesmo com esse avanço, os modelos elétricos ainda representam menos de 1% das vendas de motocicletas no país. AutoInformeAutoInforme
Apesar do market share reduzido, fabricantes globais já apostam forte nesse nicho dentro do Brasil. A Yadea, líder global no segmento, vem expandindo sua atuação no país com investimentos na produção em Manaus, ampliação da rede de concessionárias e lançamento de modelos como a Keeness, inspirada no conceito das naked urbanas, equipada com duas baterias de lítio de 72V e motor central com potência de pico de 11.000 W. A aposta das marcas é que a combinação de menor custo de manutenção com a ausência de troca de óleo e embreagem seja suficiente para conquistar o consumidor urbano nos próximos anos. AutoInforme
Exportações também devem crescer neste ano
O bom momento do setor não fica restrito ao mercado interno. A Abraciclo estima que 45.000 motocicletas sejam destinadas ao mercado externo em 2026, um crescimento de 4,4% na comparação com as 43.117 unidades exportadas em 2025. Para o presidente da entidade, Marcos Bento, esse desempenho reforça o papel estratégico do Polo Industrial de Manaus, que segue como o maior polo de produção de duas rodas fora do continente asiático. Abraciclo
Com tantos indicadores positivos ao mesmo tempo, produção em alta, vendas recordes e exportações em expansão, o setor de motocicletas se consolida como um dos pilares mais estáveis da indústria automotiva brasileira em 2026. O desafio para os próximos meses será manter esse ritmo em meio aos juros ainda elevados no país, além de acompanhar de perto a evolução regulatória das motos elétricas, que devem passar por exigências mais rígidas de segurança e habilitação nos próximos anos.
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