O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, transformou em missão aquilo que para muitos seria apenas um obstáculo intransponível. Em diversos rincões do país, a distância até o atendimento médico mais próximo ainda se mede em horas de estrada e em barreiras que afastam populações inteiras do cuidado básico, e é diante dessa realidade que seu trabalho ganha contornos de verdadeira transformação social.
Acompanhe e descubra como o cuidado e compromisso social podem mudar destinos.
O que diferencia a medicina humanizada da prática tradicional?
A medicina humanizada propõe enxergar o paciente em sua totalidade, indo muito além da doença que o levou ao consultório. Essa abordagem valoriza a escuta atenta, o respeito à história individual e o reconhecimento de que fatores sociais e emocionais influenciam diretamente a saúde física. O vínculo de confiança construído entre profissional e paciente torna-se, nessa perspectiva, parte fundamental do tratamento.
Aplicar esses princípios ao cuidado do idoso revela-se particularmente transformador. A terceira idade traz consigo complexidades que exigem paciência, sensibilidade e disposição para compreender contextos familiares e emocionais muitas vezes delicados. Tratar o idoso como sujeito ativo de seu cuidado, e não como mero receptor de prescrições, eleva a qualidade dos resultados alcançados, destaca o doutor Yuri Silva Portela.
Quais barreiras dificultam o acesso à saúde em regiões carentes?
A escassez de profissionais especializados constitui um dos entraves mais persistentes em áreas afastadas dos grandes centros, revela Yuri Silva Portela. A geriatria, especialidade ainda em expansão no Brasil, encontra dificuldades adicionais para chegar a populações que envelhecem sem o acompanhamento adequado. A combinação de distância geográfica e carência de recursos cria verdadeiros desertos assistenciais. Nessas regiões, o acesso limitado aos serviços de saúde compromete tanto a prevenção quanto o diagnóstico precoce de diversas condições associadas ao envelhecimento.

Somam-se a esse quadro as limitações econômicas que impedem o deslocamento até centros de referência e a falta de informação sobre prevenção e cuidados básicos. Muitos idosos chegam ao atendimento já com doenças avançadas, justamente por não terem tido acesso oportuno a orientação e acompanhamento. O resultado é um sofrimento que, em grande parte, poderia ter sido evitado. Essa realidade também aumenta a sobrecarga das famílias, que frequentemente enfrentam dificuldades para oferecer o suporte necessário sem auxílio especializado.
O doutor Yuri Silva Portela compreende que enfrentar essas barreiras exige iniciativas que vão até onde a estrutura pública não alcança. Levar conhecimento, atendimento e acolhimento a quem foi historicamente esquecido representa não apenas um gesto de solidariedade, mas uma resposta concreta a uma injustiça estrutural profunda. Projetos voltados à interiorização do cuidado contribuem para reduzir desigualdades e ampliar o acesso a uma assistência mais digna e humanizada.
Como os projetos sociais transformam comunidades inteiras?
Iniciativas como o Humaniza Sertão demonstram que a mobilização de profissionais voluntários é capaz de produzir mudanças expressivas em territórios marcados pelo abandono. O atendimento multidisciplinar, que reúne diferentes saberes em torno do bem-estar do paciente, amplia o alcance e a profundidade do cuidado oferecido às populações vulneráveis. Essa integração entre diferentes áreas do conhecimento permite uma abordagem mais completa, capaz de identificar necessidades que muitas vezes passam despercebidas em atendimentos isolados.
Mais do que consultas pontuais, esses projetos plantam sementes de transformação ao educar comunidades sobre prevenção, autonomia e saúde. Conforme elucida Yuri Silva Portela, o impacto se multiplica quando o conhecimento partilhado é incorporado à rotina das famílias, gerando efeitos que perduram muito além da presença física da equipe de voluntários no local. Dessa forma, a comunidade se fortalece gradualmente, desenvolvendo maior capacidade de cuidar de si mesma e de promover hábitos que favorecem a saúde coletiva.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
