Pisos de taco e ladrilhos hidráulicos, como menciona Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, são frequentemente os primeiros itens descartados durante a reforma de uma casa antiga e, muitas vezes, os mais complexos de serem substituídos. Materiais produzidos com técnicas e madeiras que já não são comuns são descartados em nome de uma modernização que poderia coexistir com eles.
Ao mesmo tempo, imóveis antigos podem apresentar limitações significativas, incluindo instalações elétricas subdimensionadas, encanamentos de ferro galvanizado, umidade nas paredes e plantas muito compartimentadas. O desafio da reforma está em separar o que tem valor arquitetônico e afetivo do que precisa, de fato, ser substituído para garantir segurança e conforto aos novos moradores.
O diagnóstico vem antes do projeto
A realização de uma vistoria técnica constitui o ponto de partida para o processo de reforma de imóveis antigos. Rachaduras, trincas em vigas, sinais de cupim no madeiramento e manchas de umidade indicam problemas que devem ser resolvidos antes de qualquer deliberação estética, a fim de evitar o comprometimento dos acabamentos poucos meses após a conclusão da obra.
As instalações requerem atenção especial. As fiações antigas, que frequentemente não possuem aterramento e foram dimensionadas para a utilização de um número reduzido de aparelhos, não são capazes de suportar a carga de chuveiros elétricos, aparelhos de ar-condicionado e eletrodomésticos atuais. Da mesma forma, tubulações de ferro galvanizado tendem a sofrer corrosão interna com o tempo, o que pode reduzir a pressão e deixar resíduos de ferrugem na água.
Em consonância, Daugliesi Giacomasi Souza também destaca a importância de se registrar os itens em bom estado. Fotografar e catalogar pisos, portas, ferragens e elementos decorativos antes do início das obras evita descartes por desatenção e permite que o projeto incorpore essas peças desde o início, evitando a tentativa de resgate de última hora.
Elementos que costumam valer a restauração
Embora nem todo material antigo mereça ser mantido, alguns apresentam durabilidade e qualidade difíceis de reproduzir. Para Daugliesi Giacomasi Souza, a decisão deve considerar o estado de conservação, o custo do restauro em comparação com a substituição e o papel que o elemento terá na identidade do novo ambiente. Dentre os itens cujo cuidado frequentemente compensa, podemos citar:
- Pisos de taco e assoalho: quando a madeira está firme, raspagem, calafetação e novo acabamento devolvem a aparência original, com durabilidade superior à de muitos revestimentos atuais.
- Ladrilhos hidráulicos: peças soltas podem ser recolocadas e as quebradas substituídas por reproduções artesanais; também é possível concentrar as peças originais em um único ambiente ou painel.
- Esquadrias de madeira: portas e janelas maciças aceitam lixamento, troca de ferragens e novas vedações, e podem receber vidros mais eficientes sem perder o desenho original.
- Ferragens e detalhes decorativos: maçanetas, fechaduras, grades e cornijas carregam o estilo da época e, depois de limpas e restauradas, diferenciam o imóvel de construções padronizadas.
- Pé-direito e forros: tetos altos favorecem a ventilação e a sensação de amplitude, e rebaixá-los por completo para embutir iluminação pode apagar uma das principais qualidades da casa.

A restauração exige mão de obra especializada e, em alguns casos, um prazo maior do que o necessário para uma simples troca. No entanto, segundo Daugliesi Giacomasi Souza, o resultado tende a ser uma propriedade com identidade própria, na qual a história da construção convive com o conforto contemporâneo, algo difícil de ser alcançado apenas com materiais novos.
O equilíbrio entre inovação e continuidade operacional
A modernização, em geral, concentra-se nos espaços mais exigidos pela rotina atual. As áreas de cozinha e banheiro geralmente são as que recebem as maiores intervenções, com a instalação de novos revestimentos de fácil limpeza e equipamentos eficientes. Já as salas e quartos, por sua vez, mantêm os pisos, portas e o projeto original da construção.
Também é possível acompanhar o trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, no perfil @dgdecor.construir. Nele, ela destaca que o contraste bem resolvido é uma das formas mais eficientes de valorizar o antigo. A combinação de uma bancada contemporânea com um ladrilho original ou a disposição de luminárias atuais sob um forro de madeira restaurado evidencia o valor de cada material, em vez de colocá-los em disputa.
Em imóveis tombados ou situados em áreas de proteção do patrimônio, as intervenções dependem de aprovação dos órgãos responsáveis, que podem restringir alterações em fachadas, telhados e esquadrias. Recomenda-se consultar a prefeitura antes de iniciar o projeto, a fim de evitar embargos e retrabalho, além de orientar soluções compatíveis com as regras de preservação.
Preservar também é uma escolha de projeto
A reforma de uma residência antiga não deve ser feita escolhendo entre nostalgia e conforto. Um diagnóstico detalhado é essencial para determinar o que deve ser substituído por motivos de segurança e o que pode ser restaurado. Essa distinção é fundamental para definir o custo da obra e o caráter do imóvel após a conclusão.
Em geral, o que se perde em uma demolição apressada raramente é recuperado. A abordagem de Daugliesi Giacomasi Souza demonstra que a modernização bem planejada é essencial para a preservação da história da casa, agora equipada com instalações seguras, ambientes funcionais e materiais que tiveram nova utilidade.
