A soja brasileira segue majoritariamente para exportação, já o consumo interno de milho cresce, puxado pelas indústrias de proteína animal e etanol. O empresário Wander Aguilera Almeida, intermediador no mercado de grãos, acompanha de perto essas duas pontas, sabendo que a escolha entre vender para fora ou para dentro do país muda praticamente toda a lógica da negociação, do preço ao prazo de pagamento.
Nesse sentido, não se trata apenas de escolher o comprador que paga mais naquele dia; cada caminho carrega um conjunto próprio de riscos, prazos e variáveis que só aparecem depois que o contrato já está assinado, quando já não há mais espaço para ajustar a estratégia.
Convidamos você a saber mais a seguir!
O que muda ao vender para exportação?
Em primeira análise, o preço pago pela exportação tende a seguir a cotação internacional em dólar, informa Wander Aguilera Almeida, acrescida ou reduzida de um prêmio que reflete qualidade do grão, logística até o porto e demanda do comprador estrangeiro naquele momento. Esse prêmio pode variar bastante entre safras, dependendo da competição com outros países exportadores do mesmo produto.
Além disso, os prazos também costumam ser mais rígidos nesse tipo de negócio. O embarque no porto segue uma janela definida, e atrasar a entrega pode gerar multa ou até a perda do comprador, que já tem navio e contratos agendados com outros fornecedores em paralelo.
O que muda ao vender para o mercado interno?
Vender para indústrias locais, como esmagadoras de soja ou fábricas de ração, remove parte da exposição cambial, já que o pagamento tende a ser feito em reais, com referência à cotação doméstica, e não à paridade internacional negociada em dólar.

Sob essa perspectiva, o empresário Wander Aguilera Almeida pontua que essa opção costuma dar mais liberdade nos prazos de entrega. Quando o comprador está pertinho da propriedade, isso ainda ajuda a segurar o custo do frete até o destino final da carga.
Em contrapartida, o preço no mercado interno pode ficar mais distante da cotação internacional em períodos de alta demanda externa, já que boa parte da oferta disponível é disputada pelos exportadores primeiro, deixando menos volume para a indústria doméstica.
Como decidir entre um caminho e outro?
Observar o comportamento recente de cada grão antes de decidir é fundamental, já que soja e milho, apesar de vizinhos na mesma propriedade, respondem a lógicas de mercado bem diferentes entre si. O que vale para a soja em determinado ano pode não valer para o milho na mesma safra, e tratar os dois da mesma forma é um erro comum.
O milho é um bom exemplo dessa virada, nota Wander Aguilera Almeida. O consumo interno saltou de sessenta e dois milhões de toneladas para quase noventa milhões em poucos anos, o que já reduz bastante a dependência do mercado externo para esse grão. Quem puxou esse crescimento foi principalmente a avicultura, a suinocultura e a produção de etanol de milho, que ganhou força rápido por aqui.
Avaliar a distância até o porto mais próximo, comparada à distância até a indústria local, também ajuda a entender qual opção realmente compensa depois de descontado o custo de transporte de cada uma. Em propriedades distantes do litoral, esse cálculo tende a pesar mais na decisão final do que a diferença de preço anunciada inicialmente.
Dois mercados, uma mesma decisão estratégica
Diante do exposto, conclui-se que nenhum dos dois caminhos é definitivamente melhor: depende do grão, da safra, do câmbio do momento e da estrutura logística disponível na região onde o produtor está localizado naquele ano específico. De acordo com Wander Aguilera Almeida, o produtor que acompanha os dois mercados, em vez de escolher um só por hábito, tem mais chance de aproveitar a melhor oportunidade disponível em cada safra específica, mudando de estratégia quando o cenário exige.
