A Riachuelo anunciou uma nova etapa da linha Pool Loop, iniciativa voltada à moda circular e ao reaproveitamento de materiais na cadeia de vestuário. A expansão, divulgada em 22 de setembro de 2026, inclui jeans produzidos com fibras recicladas a partir de sobras têxteis geradas na fábrica Guararapes, em Natal, no Rio Grande do Norte.
De acordo com o blog oficial da Riachuelo, o projeto envolve a própria varejista, a plataforma Cotton Move e a empresa paraibana Evotex. As aparas de tecido seguem da unidade industrial potiguar para João Pessoa, onde passam por um processo de separação e desfibramento antes de serem transformadas novamente em fios.
Como funciona o reaproveitamento dos tecidos
O material reciclado é combinado com algodão virgem para formar o fio usado nos novos produtos. Segundo a empresa, os jeans têm tecido 100% algodão e aproximadamente 25% de fibras recicladas provenientes das sobras da própria fábrica. A escolha por trabalhar com um único tipo de fibra busca facilitar uma eventual reciclagem futura das peças.
Essa característica é relevante porque tecidos compostos por diferentes fibras podem tornar mais complexos os processos de separação e reaproveitamento. Ao manter o algodão como base do produto, a iniciativa procura aproximar o desenvolvimento da peça de uma lógica de circularidade, na qual o material possa voltar à cadeia produtiva em vez de ser descartado.
O caminho começa ainda na etapa de produção: as sobras geradas durante o corte e a confecção são separadas e encaminhadas para reciclagem. Depois do processamento realizado pela Evotex, o algodão desfibrado volta ao formato de fio e é utilizado na fabricação do jeans. A operação conecta duas unidades do Nordeste e concentra em uma mesma cadeia a geração do resíduo, a transformação industrial e o desenvolvimento do produto final.
Hub de reciclagem já desviou 181 toneladas
A Riachuelo também informou que o projeto Guara Circular encaminhou 181 toneladas de resíduos têxteis para reciclagem desde março de 2025. A proposta é apresentada pela companhia como um hub de reciclagem têxtil no Nordeste, com foco na integração entre a produção da fábrica Guararapes e soluções de reaproveitamento desenvolvidas regionalmente.
O volume informado considera resíduos pré-consumo, ou seja, materiais gerados antes de as peças chegarem ao consumidor. Esse recorte diferencia a iniciativa de projetos baseados na coleta de roupas usadas e mostra uma frente de atuação concentrada dentro da própria indústria, em uma tentativa de reduzir perdas no processo produtivo.
A expansão da Pool Loop ocorre um ano após o lançamento da linha, em setembro de 2025. A nova fase amplia o uso de fibras recicladas para uma categoria de grande presença no varejo e coloca o jeans como uma aplicação prática para materiais que, anteriormente, seriam tratados como sobras industriais.
Upcycling com Marcelo Sommer chega ao comércio eletrônico
No mesmo período, a Riachuelo apresentou o segundo drop da Pool Loop com direção criativa de Marcelo Sommer. A colaboração utiliza roupas e materiais parados no estoque da fábrica para criar novas peças por meio do upcycling, estratégia que procura atribuir outra função ou valor a itens já existentes.
Conforme informou a ELLE Brasil, a coleção também marcou a chegada dessa colaboração ao comércio eletrônico da marca. A distribuição on-line amplia o acesso às peças para consumidores de diferentes regiões do país, além de levar a proposta de reaproveitamento para além de uma apresentação restrita a lojas ou ações pontuais.
Embora a reciclagem têxtil ainda envolva desafios técnicos, como a qualidade das fibras recuperadas, a necessidade de misturas com matéria-prima virgem e a estrutura logística para transportar os resíduos, o projeto mostra uma tentativa de aplicar a moda circular em escala industrial. No caso da Riachuelo, a estratégia reúne reaproveitamento de sobras, produção de jeans e desenvolvimento de peças de upcycling em uma cadeia concentrada no Brasil.
Com a conexão entre Rio Grande do Norte e Paraíba, a iniciativa também evidencia a participação do Nordeste em soluções para a indústria da moda. O próximo desafio é ampliar a capacidade de processamento e manter a rastreabilidade dos materiais, de modo que o resíduo gerado na fabricação continue identificado até sua transformação em novos produtos.
