Contran estuda tornar sistemas de segurança ativa item de série, enquanto tecnologia ADAS deixa de ser exclusividade de carros premium.
Até pouco tempo, recursos como frenagem automática de emergência e alerta de saída de faixa eram vistos como luxo reservado a carros importados e modelos de ponta. Esse cenário está mudando rápido. A importância desses sistemas é tão grande que o Conselho Nacional de Trânsito, o Contran, estuda tornar o alerta de saída de faixa e a frenagem de emergência obrigatórios em novos projetos de carros a partir de 2026. A discussão levanta uma dúvida comum entre quem vai comprar um carro novo em breve: o que muda na prática, e por que essa tecnologia se tornou tão central na decisão de compra? Institucional Saga
O que é o ADAS e por que ele avança tão rápido
A sigla que está por trás dessa mudança é ADAS, do inglês Advanced Driver Assistance Systems. Com a popularização dos veículos mais conectados e eletrificados, os recursos ADAS passaram a estar presentes em um número crescente de modelos vendidos no Brasil, deixando de ser exclusividade dos carros premium. Hoje, versões mais completas de compactos e sedãs já contam com pacotes de assistência que antes só apareciam em SUVs e carros de luxo. Localiza Meoo
Na prática, esses sistemas funcionam como uma rede extra de proteção para o motorista. Eles usam câmeras, radares e sensores de 360 graus para monitorar constantemente o ambiente ao redor do carro, funcionando como uma espécie de apoio permanente durante a condução. O item que mais deve se popularizar por conta da possível exigência do Contran é justamente o de frenagem automática. Esse sistema detecta obstáculos ou pedestres à frente e freia o carro sozinho se o motorista não reagir a tempo, com regras que preveem que, até 40 km/h, o carro não poderá bater, e a 60 km/h a velocidade de impacto terá que cair para 35 km/h. Institucional SagaInstitucional Saga
O avanço também aparece nos modelos que já circulam nas ruas brasileiras, mesmo sem qualquer obrigatoriedade legal ainda em vigor. Itens como frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e piloto automático adaptativo, que antes equipavam apenas carros importados, já aparecem em modelos compactos nacionais. Esse movimento mostra que o mercado está caminhando na mesma direção da futura regulação, mesmo antes de qualquer mudança formal na lei. Vrum
Os diferentes níveis de assistência ao motorista
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Um dos pontos que mais geram confusão entre consumidores é entender que existem diferentes graus de sofisticação dentro do universo ADAS. O ADAS 2.0 corresponde à assistência ativa, enquanto o ADAS 3.0 permite automação condicional em situações específicas, sem, no entanto, dirigir o carro sozinho, já que ainda exige supervisão constante do motorista. Ou seja, mesmo os sistemas mais avançados disponíveis hoje continuam dependendo da atenção de quem está ao volante. AnyCar
Alguns testes recentes já mostram até onde essa tecnologia consegue chegar quando bem calibrada. Em um teste do Mercedes-Benz CLA 2026, a publicação MotorTrend destacou um sistema fortemente baseado em sensores de câmeras, radar e ultrassom, capaz de permitir períodos prolongados de direção quase totalmente sem as mãos no volante. Esse tipo de recurso ainda está longe de ser padrão no mercado brasileiro, mas indica a direção que a indústria está seguindo em escala global. Forbes Brasil
A inteligência artificial também começa a ocupar espaço dentro do carro, além dos sistemas puramente de segurança. Várias montadoras estão integrando assistentes baseados em modelos de linguagem ao sistema de infotainment, com a promessa de reduzir a navegação por menus e tornar mais simples a comunicação entre motorista e veículo. A ideia por trás dessa integração é que o carro compreenda comandos mais naturais, sem depender de uma sequência rígida de toques na tela. Forbes Brasil
Segurança viária é o principal argumento para a mudança
O motivo central por trás da discussão regulatória em torno do ADAS é reduzir o número de acidentes nas estradas e cidades brasileiras. Segundo estimativas do setor automotivo, sistemas de assistência ao condutor podem reduzir de forma expressiva os acidentes causados por distração, fadiga e erro humano. É esse argumento de segurança pública que sustenta a proposta de tornar alguns desses recursos item obrigatório de série, e não mais um opcional pago à parte. Autoglass Online
Apesar do avanço técnico, especialistas do setor reforçam que ainda existe um caminho de adaptação a ser percorrido pelo consumidor brasileiro. Muitos motoristas ainda não compreendem totalmente como esses sistemas funcionam, por isso a tendência é que, até 2026, haja mais conteúdos educativos, treinamentos e campanhas de conscientização sobre o uso correto dessas tecnologias. Sem esse entendimento, o risco é que o motorista relaxe a atenção justamente por confiar demais em um sistema que, vale reforçar, ainda não substitui a condução humana em nenhum nível hoje disponível no país. Autoglass Online
A tendência é que, nos próximos meses, o Contran avance nas discussões técnicas sobre a obrigatoriedade desses itens, enquanto as montadoras continuam ampliando a oferta de pacotes de segurança mesmo em modelos de entrada. Para quem está pesquisando um carro novo, vale a pena conferir com atenção quais recursos ADAS já vêm de série e quais aparecem apenas em versões mais caras, já que essa diferença deve pesar cada vez mais na escolha e também no valor de revenda do veículo nos próximos anos.
Fontes consultadas:
